terça-feira, 16 de outubro de 2012
Texto de enrolação para uma futura poesia
É isso que eu vou fazer. Eu gosto dessa imensidão de escritora que vem em minha mente quando me tranco em um lugar completamente escuro, apenas acendo uma vela. Ela faz ficar mais escuro onde não está iluminado. E é pra lá que eu fico olhando vários minutos. Viajando nos derretimentos dos meus pensamentos. Meu sono viajou e não tem data de chegada. Sai uns arranhados no violão. Sai umas rimas de uns tercetos e quartetos. Não chegam à ser sonetos. Sai umas letras de músicas brasileiras do estilo meio 30’s, tipo Orlando Silva. À procura de uma inspiração conspiradora. Coloco às mãos nas minhas bochechas quentes e sinto meus brincos. Sim, estou usando brincos. Poque eles foram dados à mim por uma pessoa especial. Foi a primeira jóia dessa pessoa. Que a bisavô da bisavô de todas as bisavós deu pra ela. E agora está na minha orelha. Acho que vou deixar aqui pra sempre. Não é o brinco da moda. E daí ? Estar na moda é brega! Essa é a minha moda. Falando em moda. Acabei de lembrar que eu entrei em um banheiro e tinha uma frase de um homem na parede. Eu provavelmente farei isso na minha casa. Vou colar frases desses poetas franceses que tanto amo nas paredes dos banheiros. Talvez no teto. Eu gosto de olhar pro teto, porque ninguém olha pra ele. Eu me lembrei do autor, era um tal de Valéry. Dizia algo do tipo “elegância é a arte de não se fazer notar aliada ao cuidado sutil de se deixar destinguir”. Me marcou. Ele não entendeu a frase. Eu sai do banheiro com fome. Acho que elegância dá fome. Deve ser isso. Acabei de negar um convite ao vinho pra ficar aqui escrevendo esse texto sem fundamento. Esse texto? Isso nem é um texto nem rabisco, nem nada. É um monte de palavras que estão voando pela minha cabeça e eu estou forçando-as à sair de alguma maneira. Por isso o sem nexo. Entenda. Eu preciso me compreender, e pra isso eu preciso me descompreender. Hoje eu ouvi mais um ” você é estranha!” Gosto de ouvir isso. Sabe, é mais legal ouvir isso do que um ” nossa, como você é normal né?” Tá, eu vou parar…
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