domingo, 21 de outubro de 2012

Eu havia me esquecido de como aquele vento frio na cara era bom. Eu havia me esquecido de como aquela casa era confortável e de como era bom ser querida em algum lugar, de como era bom andar naquela rua sozinha, e de como eu a achava bonita antes de ir embora. E agora eu a acho muito mais bonita que antes. Os passos iam e minha mente se afogava nas lembranças, em quantas vezes eu andei por aquela rua, chorando ou sorrindo. Nos últimos tempos, mais sorrindo de tanta cerveja do que outra coisa. A rua era lindo. Eu vi um pôr-do-Sol desenhado no chão, e eu fazia questão de olhar pra ele todas as vezes que eu passava por ali. E hoje, não foi diferente. Indo visitar uma velha, velha amiga. Ele tava lá, do meu jeitinho, e as gaivotas continuam lá. E eu quero que ele fique lá até eu carregar uma mãozinha pequenininha junto da minha, e mostrar - filha, aqui a mamãe via o pôr-do-Sol. Eu acho lindo porque era do mesmo jeito que eu desenhava o pôr-do-Sol quando eu era criança, e acho que meu maior desejo em todas as vezes que eu desenhava, era que aquilo algum dia fosse verdade. Verdade que eu iria ver uma metade de Sol laranja, amarelo e vermelho. Era bem assim. Tinha tantas gaivotas pretas e simples que por vezes até estragava meu desenho. Porque eu gosto muito delas, das gaivotas. O mar do mesmo laranja, amarelo e vermelho. Tinha até uma veleiro. Era bem pequenininho em relação ao tamanho do meu Sol. Eu ainda não achei esse pôr-do-Sol na minha vida, mas acho que eu tô chegando bem perto dele. Eu já sinto até o calor me arrepiando devagarzinho. Acho que é por isso que durante minha vida toda, até agora, minha luz favorita seja essa laranja durante um fim de tarde. As pessoas ficam mais bonitas, mais pensativas. É uma luz que traz paz. Me  traz felicidade interna. Porque é isso que é felicidade pra mim. É felicidade interna, é você conseguir sentir um sentimento incontrolável que você não sabe exatamente o que é. Tá ficando de tardezinha, tô começando a sentir o calor...

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