domingo, 21 de outubro de 2012
"E a melodia que há em nós, respira o dom de ser um só, de tantos ós"
O nosso belo é o nosso de cada dia. Cada chego, cada cheiro. Cada encontro cada despedida. Beijo longo, beijo curto, beijo curtíssimo. Sem batom. É lábio no lábio. "Parado no ponto não fico mais não. Acabou de passar mais um trem. E agora eu só ando de trem". Agora eu não consigo mais dormir sem escrever ou parar em um canto, não sei se bom ou se ruim. Minha mala tá pronta. Só ir. E eu tô indo. Indo e indo por aí. Não sei por onde, mas tô indo. Tô vivendo, amigo. Vivendo e cantando Dylan pra cada ônibus que eu pego. Parece que eu ando carregando meu coração nas mãos à cada lugar que eu vou. Tomando um cuidado danado pra ele não cair da minha mão. E quando eu fico perto dele, antes mesmo de vê-lo, eu o jogo. Eu jogo meu coração de olhos fechados pra ele. Ele vai pegar. E ele vai estar quente, e ele vai mantê-lo mais quente ainda, e cuidar dele melhor do que eu cuido. Eu achei um papelzinho que eu guardei quando eu tinha uns oito anos, e dizia assim : o amor é um movimento/ o amor move a gente / a gente move o amor/ o amor se mexe, atrai e expande/ o amor mexe com a gente/ a gente mexe com o amor. Eu achei lindo, porque eu me lembro que tive muita vontade de guardá-lo, mas não passou disso. Foi só bonito. Achei-o escondido no final da minha caixa e ele coube perfeitamente agora. Eu acho que eu tô começando à entender esse meximento todo de amor e da gente pra cá e pra acolá. Acho que por isso que a vida só se dá pra quem já se deu. Porque a gente precisa meter o pé na estrada e escutar Bob Dylan. A gente precisa aprender à rir sozinho dentro dos trens e deixar todo mundo olhar e a curiosidade matar. A saudade mata. Me mata. Mas assim como o samba deixa a fossa mais bonita, a saudade diz o mesmo do amor. Vale mais a pena. A gente precisa sofrer de amor pra depois quando passar, receber aquele cafuné. A gente precisa aprender que a importância é aquilo que você faz dela. "E a melodia que há em nós, respira o dom de ser um só, de tantos ós." Tô com ateliê em um lugar aí, que tem portas-palavras, telas em branco pra gente pintar o que quisermos. Pra gente construir. Pra gente fazer cálculos. Pra gente escrever poesias. Pra eu te desenhar. Pra eu escrever que o amo. Só por favor, "Me mira ira. Me mira mas me erra!"
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