terça-feira, 16 de outubro de 2012
Café, por onde andas?
E aquela cafeteira era tão bonita pra mim. Tão bonita que olhei de vários ângulos diferentes. Eu sendo turista. Mas dessa vez, o café foi diferente. Eu decidi tomá-lo e em cada segundo de cada gota dentro de mim, seria apreciado. Uma terapia talvez? Acho que foi. Pra tentar manter a cabeça no lugar. Mas o melhor mesmo é no final. Quando a gente lambe os lábios e fecha o olho devagar pra apreciar os últimos sentidos diretos entre você e o café. Nada nesse momento me atrapalha. O dez andares abaixo de mim poderiam estar caindo, e eu ainda estaria me deliciando. Enquanto todo mundo se preocupa em dormir, estou a cá. Preocupando-me em escrever. Preocupando-me em olhar pra janela, e ver um bando de prédios velhos e lindos. Sujos e charmosos. Acho engraçado os guarda-chuvas vistos de cima. Eles me dão a impressão que são pula-pulas, e que a gente pode se jogar em cima deles. Não vou tentar. Isso não é um texto suicida. Pronto, chegou o momento dos lábios. Ok, acabou. Vou para outra caneca de café. Acho engraçado também como que eu só acho meu cabelo bonito à noite. Porque será? Porque ninguém vai ver, né? Na verdade, certas coisas são feitas só pra noite. Coisas feitas pra noite, são coisas que só ficam bonitas à noite. E que de dia a gente esquece delas, e elas ficam imperceptíveis. Mas não são. Tipo meu cabelo. Ou as velas. Ou incensos. Adoro acendê-los. Apenas à noite. Eles são tão lindos que merecem ser analisados individualmente e sem outras distrações visuais. Agora é uma caneca de chá. Acabou o café.
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